Uma categoria recheada de talento e variedade.

 

Ralph vs Internet

Título original: Ralph breaks the internet (EUA-2018)
Realizador: Phil Johnston, Rich Moore
Argumento: Phil Johnston, Pamela Ribon
Vozes: John C. Reilly, Sarah Silverman, Gal Gadot

Nomeações: 1(Melhor Filme de Animação)

Depois das mirabolantes aventuras do filme de 2012, Ralph (John C. Reilly) e Vanellope (Sarah Silverman) vivem ainda na arcada de video jogos. São os melhores amigos e estão sempre juntos. Porém Vanellope, de natureza rebelde e temerária, sente que o seu jogo já se tornou demasiado fácil, demasiado previsível e anseia por algo mais do que a vida que leva. Ralph não entende, pois para ele tê-la como melhor amiga basta-lhe para ser feliz. Na tentativa de ajudar a amiga, cria uma nova pista de corrida no jogo Sugar Rush Speedway. O que acaba por criar mais confusão do que o esperado: o volante do jogo de arcada parte-se acidentalmente levando a que o jogo seja desligado da tomada, deixando todas as personagens sem teto. Sem saber o que esperar, Ralph e Vanellope entregam-se à aventura das suas vidas em busca do volante no misterioso eBay, algures na desconhecida e recém chegada Internet. Acabam por encontrar um mundo sem fim de coisas que não sabiam que existiam, especialmente o perigoso e imprevisível jogo online Slaughter Race com a daredevil Shank (Gal Gadot) que de imediato chama a atenção da pequena Vanellope. Pequenos e graúdos encontram aqui um delicioso filme carregado de pop culture references, aventuras várias nos sítios mais recônditos como a Dark Web, o BuzzTube (uma sátira ao YouTube e BuzzFeed), o ohmydisney.com (onde Vanellope encontra todas as icônicas princesas Disney) e tantos outros. Mas o mais importante, na minha opinião, não desdizendo da excelente animação e divertida interpretação dos voice talents, é a mensagem, a original moral da história: o aprender a aceitar que apesar de melhores amigos, podem ter diferentes sonhos e mesmo que afastados, nunca deixarão de gostar um do outro.

 

Classificação: ⭐⭐⭐⭐ (4,0 Estrelas)

 

Ilha dos Cães

Título original: Isle of Dogs (EUA, ALE 2018)
Realizador: Wes Anderson
Argumento: Wes Anderson, Roman Coppola
Vozes: Bryan Cranston, Koyu Rankin, Liev Schreiber

Nomeações: 2 (Melhor Filme de Animação, Melhor Banda Sonora Original)

O mundo vibra em antecipação cada vez que brota um novo filme da mente brilhante de Wes Anderson. Qualquer filme seu torna-se quase da noite para o dia num clássico e é sempre um prazer deixar-nos levar pela magia da excelente cinematografia, da história que consegue ser crua e ao mesmo tempo enternecedora e das personagens de humor refinado e muito particular. Desta vez conta-nos a história de um futuro Japão distópico onde um surto de gripe canina levou ao exílio de todos os cães para uma ilha de lixo. Atari (Koyu Rankin) é um rapaz intrépido de 12 anos que não olha a meios para resgatar o seu cão Spots (Liev Schreiber). Pelo caminho encontra uma matilha de cinco cães que decidem ajudá-lo na sua missão. Entre eles está Chief (Brian Cranston), um rafeiro que não gosta particularmente de humanos mas que acaba por se deixar levar pela dedicação do jovem rapaz. Claro está, sendo este um filme de Wes Anderson, o percurso do herói não é fácil, já que há muito mais em jogo do que se possa imaginar: uma verdadeira teoria da conspiração que inclui uma organização secreta anti-cão, cães-robot e uma possível cura para a gripe canina abafada pelo governo… Enfim, como sempre é uma delícia de ver e rever. Não conseguimos evitar pressionar o botão de rewind várias vezes em busca de todos aqueles pormenores que tornam este filme, uma vez mais, uma obra de arte!

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐  (5,0 Estrelas)

 

 

Os Incríveis 2

Título original: The Incredibles 2 (USA-2018)
Realizador: Brad Bird
Argumento: Brad Bird
Vozes: Craig T. Nelson, Holly Hunter, Sarah Vowell

Nomeações: 1 (Melhor Filme de Animação)

Seis anos depois do sucesso do primeiro filme, volta às salas de cinema a nossa família preferida de super heróis. A trama pega exactamente no momento em que o filme de 2012 acaba. Os Incredibles tentam mais uma vez salvar o dia mas acabam por destruir meia cidade criando uma onda de descontentamento contra super heróis. A lei que proíbe qualquer atividade heróica continua em vigor: Mr. Incredible (Craig T. Nelson), Elastigirl (Holly Hunter), Violet (Sarah Vowell), Dash (Huck Milner) e o bebé Jack-Jack (Eli Fucile)  terão de continuar a sua vida de aparentes humanos normais. Porém uma nova personagem aparece. O seu nome é Winston Deavor (Bob Odenkirk), um milionário que sabe como mudar a percepção do público e quer abolir a lei anti-supers. Porém é em Elastigirl que vê a pessoa ideal para dar cara à sua campanha, deixando Mr. Incredible para segundo plano. Este terá de assumir as tarefas domésticas e tomar conta dos filhos, coisa a que não está de todo habituado, para além do facto de morrer de inveja do sucesso da mulher. A juntar a todo o drama familiar surge também um novo vilão Screenslaver com desígnios obscuros e misteriosos… O filme não dá a sensação de que estamos a ver uma sequela, na medida em que a história é muito interessante e talvez até mais adulta do que se espera num filme de animação da Pixar. Um must watch e um bom concorrente da corrida aos Óscares.

Classificação: ⭐⭐⭐⭐ (4,0 Estrelas)

 

 

 

Homem-Aranha: No Universo Aranha

Título original: Spider-Man: Into the Spider Verse (USA-2018)
Realizador: Bob Persichetti, Peter Ramsey
Argumento: Phil Lord, Rodney Rothman
Vozes: Shameik Moore, Jake Johnson, Hailee Steinfeld

Nomeações: 1 (Melhor Filme de Animação)

Miles Morales (Shameik Moore) é apenas um miúdo com o sonho de ser grafitter. Com o seu ponto de rebeldia, apoiado pelo tio e contra a vontade do pai, envereda pelos sítios mais recônditos para praticar a sua arte. Acaso (ou não) uma aranhinha morde-lhe. Sim, é outra vez uma origins story mas muito mais do que apenas isso. O Spider-Man de Peter Parker que conhecemos, morreu. Cabe a Miles aprender rapidamente a adaptar-se às suas novas mãos peganhentas e saltaricos de teia em teia, já que o mundo está, mais uma vez, a precisar desesperadamente de um herói. As experiências loucas de cientistas vilões levam a que mundos paralelos se misturem num só e as consequências poderão ser desastrosas. Estes mundos têm cada um a sua versão de Spider-Man. Peter B. Parker (Jake Johnson), uma versão cansada e trintona do nosso amigo aranha que vai ser o improvável mentor de Miles. Também temos uma Spider-Woman, vinda de uma realidade alternativa em que é Gwen Stacy (Hailee Steinfeld) que acaba por ser mordida e Peter Parker o seu melhor amigo. Outras versões de antigos comics juntam-se ao grupo como um Spider-Man Noir (uma versão tão obscura que é quase impossível encontrar uma hard copy do comic), a kawaii Peni Parker com o seu meca estilo Evangelion, e Spider-Ham, uma versão Looney Tunes. Sim, há de tudo. O mundo Spider-Man é de longe um dos meus preferidos, sempre foi. A sua história é humana, é relatable. Consegue triunfar onde outros super heróis pecam: Peter Parker tem tantos defeitos como qualquer um de nós, é acima de tudo um humano. Este filme é qualquer coisa de… fantástico! Temos de tudo: uma boa história, emoção, ação e até boas gargalhadas. Mas o que é mais revolucionário, na minha opinião, é a forma como consegue misturar o 2D e o 3D de maneira tão harmoniosa. Nunca vi tal coisa! Se havia alguma dúvida de que um filme pode ser considerado Arte com letra grande… Fantástico! Simplesmente fantástico! Óscares, here we go!

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐ (5,0 Estrelas)

 

 

 

Mirai no Mirai

Título original: 未来のミライ (JAP-2018)
Realizador: Mamoru Hosoda
Argumento: Mamoru Hosoda
Vozes: Moka Kamishiraishi, Haru Kuroki, Mitsuo Yoshihara

Nomeações: 1 (Melhor Filme de Animação)

Mirai, a nova irmãzinha de Kun (Moka Kamishiraishi), é apenas um bebé recém nascido, uma coisa minúscula, mas que supõe uma mudança gigante na vida do menino. A mãe regressa ao trabalho cedo e cabe ao desajeitado pai tratar da casa e das crianças. Kun ressente-se da falta de atenção exclusiva dos pais e direciona toda a sua frustração para a sua irmã. Esta animação japonesa é extremamente realista na forma como retrata as relações familiares: o bom, o mau e o péssimo, acaba por ter também uma componente fantasiosa, já que é no jardim da casa da família Oota que talvez por magia ou pela imaginação fértil da criança, encontra um espaço que o transporta ao passado, ao futuro e ao vínculo entre as várias gerações da família. O cão Yukko (Mitsuo Yoshihara ) e uma versão crescida de Mirai ( Haru Kuroki) vão ser os guias de Kun que afinal de contas tem apenas 4 anos e ainda está a aprender a lidar com as emoções. É realmente um filme muito especial e confesso que me tocou cá dentro, tanto como mamã que sou e criança que fui. Aconselho ter um maço de lenços à mão para aqueles que se deixam emocionar por histórias belas e comoventes como esta.

Classificação: ⭐⭐⭐⭐ 1/2 (4,5 Estrelas)

 

 

 

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