Num ano de algumas certezas, o grande prémio é a maior incógnita.

 

Apesar de haver muitas categorias mais técnicas em que a dúvida irá persistir quase até ao fim – “Black Panther” e “The Favourite” estarão em luta direta em prémios como Direção Artística ou Guarda-Roupa – este é um daqueles anos em que se atingiu grande consenso muito rapidamente nas categorias principais. Assim, não deixa de ser curioso que o prémio mais incerto de todos seja o principal. “Quem vai ganhar Melhor Filme?” vai ser a questão que, provavelmente, ajudará a manter o interesse numa cerimónia dos Óscares que se avizinha problemática. Dito isso, e sem mais demoras, seguem as minhas previsões oficiais para os vencedores dos Óscares deste ano:

 

Melhor Filme

“Black Panther”

“BlacKkKlansman”

“Bohemian Rhapsody”

“The Favourite”

“Green Book”

“Roma” – Que melhor maneira de começar um texto em que vou assumir grandes certezas do que com uma escolha em que podia atirar um dardo à parede e ter as mesmas hipóteses de acertar? Primeiro “A Star Is Born” era considerado o favorito. Depois “Green Book” ganhou o prémio do sindicato dos produtores. Depois “Black Panther” ganhou o prémio de Melhor Elenco nos prémios dos atores. Tudo fatores que normalmente indicam os vencedores. E, no entanto, acredito que vai ser “Roma” a ganhar. Apesar do eventual preconceito com ser um filme da NetFlix, muito do “buzz” recente tem apontado à obra-prima de Cuarón. E, como é o filme que eu quero que ganhe, já vi piores justificações para a minha escolha.

“A Star Is Born”

“Vice”

 

Melhor Realizador

Spike Lee, “BlacKkKlansman”

Pawel Pawlikowski, “Cold War”

Yorgos Lanthimos, “The Favourite”

Alfonso Cuarón, “Roma” – Aqui, não há grande dúvidas quanto ao que vai acontecer. Mesmo que “Roma” não ganhe o grande prémio esta estatueta não deverá escapar a Cuarón. Para além de ter sido condecorado com o prémio do sindicato dos realizadores, o cineasta mexicano tem sido muito elogiado pelo como não assumiu a direção geral do filme mas também de todos os seus elementos, incluindo produção, fotografia e até argumento. Não vamos complicar, este prémio está mais que entregue.

Adam McKay, “Vice”

 

Melhor Ator Principal

Christian Bale, “Vice”

Bradley Cooper, “A Star Is Born”

Willem Dafoe, “At Eternity’s Gate”

Rami Malek, “Bohemian Rhapsody” – Devido à dimensão da sua transformação física em Dick Cheney e o facto de ser um dos mais respeitados atores em Hollywood, há uma vaga hipótese de Christian Bale “roubar” este prémio. Mas é muito pouco provável. Desde o início das campanhas aos prémios que Rami Malek tem estado na posição de favorito – e a vitória nos prémios do sindicato dos atores só veio cimentar esse estatuto. A narrativa do “jovem ator que mostrou o seu talento à indústria” vai ser demasiado forte para contrariar.

Viggo Mortensen, “Green Book”

 

Melhor Atriz Principal

Yalitza Aparicio, “Roma”

Glenn Close, “The Wife” – Embora aqui também exista uma performance “na luta” pelo prémio – a loucura controlada da respeitada veterana Olivia Colman em recebido rasgados elogios nos mais altos círculos de Hollywood –, não há como não votar em Glenn Close. Mesmo passando além do facto de ser uma grande performance que merece ser premiada, a Academia simplesmente QUER entregar a estatueta a Close. Nomeada previamente em seis ocasiões sem nunca ter ganho, há uma sensação geral que é a altura dela ganhar de uma vez por todas.

Olivia Colman, “The Favourite”

Lady Gaga, “A Star Is Born”

Melissa McCarthy, “Can You Ever Forgive Me?”

 

Melhor Ator Secundário

Mahershala Ali, “Green Book” – Quando vários atores começaram a ser considerados para esta categoria, parecia haver uma sensação que tudo estaria em aberto. Nenhuma performance se parecia estar a destacar mais que as outras. Mas depois Mahershala Ali conquistou um prémio dos críticos. E depois outro. E depois outro. E depois ganhou o prémio do sindicato dos atores. Quando juntamos todos estes elementos ao componente ideológico e social da sua personagem histórica, tudo indica que Ali vai bisar, dois anos depois de “Moonlight”.

Adam Driver, “BlacKkKlansman”

Sam Elliott, “A Star Is Born”

Richard E. Grant, “Can You Ever Forgive Me?”

Sam Rockwell, “Vice”

 

Melhor Atriz Secundária

Amy Adams, “Vice”

Marina de Tavira, “Roma”

Regina King, “If Beale Street Could Talk” – Terminando esta análise aos prémios dos atores, chegamos a um em que vou ter confiar um pouco mais nos meus instintos. Por quê? Porque a distinção do sindicato dos atores – o melhor indicador para esta estatueta – foi entregue a Emily Blunt, em “A Quiet Place”. Assim, dou por mim a ter de seguir mais os rumores que têm percorrido entre os peritos da indústria, que indicam, acima de tudo, um desejo de reconhecer o trabalho da muito respeitada Regina King, em “If Beale Street Could Talk”.

Emma Stone, “The Favourite”

Rachel Weisz, “The Favourite”

 

Melhor Argumento Adaptado

“The Ballad of Buster Scruggs,” Joel Coen , Ethan Coen

“BlacKkKlansman”, Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott, Spike Lee – Desde os Irmãos Coen a Nicole Holofcener, de Barry Jenkins a Eric Roth e Bradley Cooper, o talento em competição é inegável. Mas há um certo nome no fim da lista dos argumentistas de “BlacKkKlansman” que deverá indicar o vencedor: esta é a oportunidade perfeita para finalmente dar um Óscar a Spike Lee. A vitória de “Can You Ever Forgive Me?” nos prémios do sindicato dos argumentistas indica que poderá haver, no entanto, uma surpresa.

“Can You Ever Forgive Me?,” Nicole Holofcener and Jeff Whitty

“If Beale Street Could Talk,” Barry Jenkins

“A Star Is Born,” Eric Roth, Bradley Cooper, Will Fetters

 

Melhor Argumento Original

“The Favourite”, Deborah Davis, Tony McNamara – Nesta categoria, olhar para quem ganhou junto do sindicato dos argumentistas não nos ajuda muito, dado que não só quem ganhou não foi nomeado ao Óscar (“Eight Grade”, de Bo Burnham) como “The Favourite” não era sequer elegível ao prémio – devido a regras arcaicas com as quais não vale a pena perder tempo. Dito isto, todas as indicações junto dos “insiders” da indústria apontam a uma vitória do  argumento de Deborah Davis e Tony McNamara – e é para aí que me inclino também.

“First Reformed,” Paul Schrader

“Green Book,” Nick Vallelonga, Brian Currie, Peter Farrelly

“Roma,” Alfonso Cuarón

“Vice,” Adam McKay

 

Melhor Fotografia

“Cold War,” Lukasz Zal

“The Favourite,” Robbie Ryan

“Never Look Away,” Caleb Deschanel

“Roma,” Alfonso Cuarón

“A Star Is Born,” Matthew Libatique

 

Melhor Filme de Animação

“Incredibles 2,” Brad Bird

“Isle of Dogs,” Wes Anderson

“Mirai,” Mamoru Hosoda

“Ralph Breaks the Internet,” Rich Moore, Phil Johnston

“Spider-Man: Into the Spider-Verse,” Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman

 

Melhor Filme Estrangeiro

“Capernaum” (Lebanon)

“Cold War” (Poland)

“Never Look Away” (Germany)

“Roma” (Mexico)

“Shoplifters” (Japan)

 

Melhor Documentário

“Free Solo,” Jimmy Chin, Elizabeth Chai Vasarhelyi

“Hale County This Morning, This Evening,” RaMell Ross

“Minding the Gap,” Bing Liu

“Of Fathers and Sons,” Talal Derki

“RBG,” Betsy West, Julie Cohen

 

Melhor Montagem

“BlacKkKlansman,” Barry Alexander Brown

“Bohemian Rhapsody,” John Ottman

“Green Book,” Patrick J. Don Vito

“The Favourite,” Yorgos Mavropsaridis

“Vice,” Hank Corwin

 

Melhor Direção Artística

“Black Panther,” Hannah Beachler

“First Man,” Nathan Crowley, Kathy Lucas

“The Favourite,” Fiona Crombie, Alice Felton

“Mary Poppins Returns,” John Myhre, Gordon Sim

“Roma,” Eugenio Caballero, Bárbara Enrı́quez

 

Melhor Guarda-Roupa

“The Ballad of Buster Scruggs,” Mary Zophres

“Black Panther,” Ruth E. Carter

“The Favourite,” Sandy Powell

“Mary Poppins Returns,” Sandy Powell

“Mary Queen of Scots,” Alexandra Byrne

 

Melhor Banda Sonora Original

“BlacKkKlansman,” Terence Blanchard

“Black Panther,” Ludwig Goransson

“If Beale Street Could Talk,” Nicholas Britell

“Isle of Dogs,” Alexandre Desplat

“Mary Poppins Returns,” Marc Shaiman, Scott Wittman

 

Melhor Música Original

“All The Stars” from “Black Panther” by Kendrick Lamar, SZA

“I’ll Fight” from “RBG” by Diane Warren, Jennifer Hudson

“The Place Where Lost Things Go” from “Mary Poppins Returns” by Marc Shaiman, Scott Wittman

“Shallow” from “A Star Is Born” by Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando, Andrew Wyatt and Benjamin Rice

“When A Cowboy Trades His Spurs For Wings” from “The Ballad of Buster Scruggs” by David Rawlings and Gillian Welch

 

Melhor Caracterização

“Border”

“Mary Queen of Scots”

“Vice”

 

Melhor Montagem de Som

“Black Panther,” Benjamin A. Burtt, Steve Boeddeker

“Bohemian Rhapsody,” John Warhurst

“First Man,” Ai-Ling Lee, Mildred Iatrou Morgan

“A Quiet Place,” Ethan Van der Ryn, Erik Aadahl

“Roma,” Sergio Diaz, Skip Lievsay

 

Melhor Mistura de Som

“Black Panther”

“Bohemian Rhapsody”

“First Man”

“Roma”

“A Star Is Born”

 

Melhores Efeitos Visuais

“Avengers: Infinity War”

“Christopher Robin”

“First Man”

“Ready Player One”

“Solo: A Star Wars Story”

 

Melhor Documentário, Curta-Metragem

“Black Sheep,” Ed Perkins

“End Game,” Rob Epstein, Jeffrey Friedman

“Lifeboat,” Skye Fitzgerald

“A Night at the Garden,” Marshall Curry

“Period. End of Sentence.,” Rayka Zehtabchi

 

Melhor Curta-Metragem, Animação

“Animal Behaviour,” Alison Snowden, David Fine

“Bao,” Domee Shi

“Late Afternoon,” Louise Bagnall

“One Small Step,” Andrew Chesworth, Bobby Pontillas

“Weekends,” Trevor Jimenez

 

Melhor Curta-Metragem, Live Action

“Detainment,” Vincent Lambe

“Fauve,” Jeremy Comte

“Marguerite,” Marianne Farley

“Mother,” Rodrigo Sorogoyen

“Skin,” Guy Nattiv

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