Numa cerimónia que contou com algumas escolhas que contrariaram a maioria das previsões, talvez nenhuma outra tenha sido tão surpreendente como a vitória de “Green Book” em Melhor Filme. Apesar de ter conquistado o prémio do sindicato dos produtores – muitas vezes coincidente com a escolha nos Óscares – a grande maioria dos “peritos” da indústria apontavam para uma vitória de “Roma”. Mas foi antes o biopic de Peter Farrelly a levar para casa o grande prémio.

Apesar da “derrota” na categoria principal, Alfonso Cuarón foi um dos grandes vencedores da noite, levando para casa três prémios, como Melhor Realizador, Melhor Fotografia e Melhor Filme Estrangeiro, levando a que dissesse, no seu discurso, que muitos dos seus filmes favoritos em jovem eram filmes estrangeiros, como “Jaws” e “The Godfather”.

Nas categorias de representação, correu tudo como esperado, até quase ao final. Na categoria de Melhor Ator Principal, Rami Malek bateu Christian Bale para o grande prémio, pela sua performance memorável como Freddie Mercury, em “Bohemian Rhapsody”. Nas estatuetas “secundárias”, Regina King saiu vencedora, com o seu papel em “If Beale Street Could Talk”, e Mahershala Ali, com “Green Book”, levou para casa o seu segundo Óscar. Já na categoria de Melhor Atriz Principal, tivemos outra grande surpresa da noite, com Olivia Colman a ganhar, com “The Favourite”. A veterana inglesa protagonizou um dos melhores momentos da noite, com um discurso de aceitação hilariante, cheio de risos nervosos, agradecimentos disparados para todos os lados e até um pedido de desculpas a Glenn Close, considerada a grande favorita a conquistar a estatueta dourada.

Os prémios de argumentos contaram com uma semi-surpresa, com “Green Book” a levar a estatueta na categoria de Melhor Argumento Original. Já no Melhor Argumento Adaptado o resultado não foi de todo uma surpresa, com A Academia a corrigir uma falha imperdoável: Spike Lee conquistou o seu primeiro Óscar, com “BlacKkKlansman”, pontuando o momento com um discurso de aceitação que foi tão político como esperado – e como teria de ser, principalmente nos tempos que vivemos.

Nas categorias técnicas, destaque para dois filmes que tiveram múltiplas vitórias, com “Black Panther” a bisar, com Melhor Direção Artística (Hannah Beachler foi a primeira mulher negra a ganhar nesta categoria) e Melhor Guarda-Roupa, e “Bohemian Rhapsody” a vencer nas duas categorias de som e também em Melhor Montagem.

Numa nota final, a cerimónia sem apresentador fluiu inesperadamente bem, deixando no ar a possibilidade de a Academia voltar a repetir a ideia – e, desta vez, sem serem forçados a isso por incompetência da organização.

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