Um balanço do que aconteceu com um olho no que vai acontecer.

 

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Para dar ao leitor incauto que não reparou no nosso “spoiler warning” no post de publicação, vou usar estes primeiros páragrafos para falar das únicas coisas de que posso falar antes de entrar em grandes revelações – vamos ser sinceros, isto é basicamente para dar uma última oportunidade para voltarem atrás, se ainda não estiverem atualizados.

Falemos então da execução técnica deste episódio. Muitas piadas já têm sido partilhadas sobre o quão escuro este episódio foi – e muitas delas tinham piada, claro – mas confesso que, falando mais a sério, não tive qualquer problema com a escuridão omnipresente. Foi uma escolha clara do realizador, Miguel Sapochnik, para ilustrar o quão perdidos os soldados de Winterfell estavam ao longo de toda a batalha. Nunca senti que perdi alguma coisa importante por estar demasiado escuro e essa falta de luz ajudou a aumentar ainda mais a tensão crescente do episódio, que me deixou sem respiração frequentemente.

E pronto… acho que já deixei tempo suficiente para saltarem do barco. Vamos lá entrar nos spoilers…

 

 

Com tudo o que aconteceu neste episódio incrível, não faz qualquer sentido estar a fazer um resumo dos acontecimentos, por isso vou antes falar dos grandes destaques que me ficaram na cabeça.

Para começar, a Arya Stark é a maior e eu não podia ter ficado mais contente por ter sido ela a matar o Night King – com um movimento de mestre que ela própria já nos tinha mostrado. Alguns por aí estão descontentes pelo facto de o Night King não ter caído após uma batalha épica com, por exemplo, Jon Snow, mas acho, sinceramente, que essa visão mostra alguma incompreensão da essência de “Game of Thrones”. Ao longo de oito temporadas, a grande mensagem desta história épica é a do perigo de menosprezar os adversários quando se está no topo. Robb Stark pagou esse preço. Tal como pagaram Stannis, Joffrey, Oberyn, Tywin ou o High Sparroy. Desta vez, foi o Night King. “Game of Thrones” sempre foi pautado por decisões inesperadas. Inimigos escondidos e heróis improváveis. Não percebo quem possa achar que Arya Stark não foi a escolha ideal para este grande momento.

Eu não estava à espera que os White Walkers fossem eliminados da equação logo ao terceiro episódio. Não era, de todo, o que eu esperava. Mas, vou ser sincero, acho que foi uma decisão inspirada. Esta série sempre teve um foco maior nas relações humanas que na logística da guerra. O Night King era um inimigo sem nome. Mal puro. Um obstáculo a ser ultrapassado. Mas não era o cerne da história. Não passámos oito temporadas a criar relações com as personagens e a escolher as nossas favoritas para depois torná-las apenas peões num tabuleiro de xadrez. O maior inimigo de Westeros foi vencido. E agora começa a verdadeira batalha. Se estas duas últimas frases não representam o motor narrativo de “Game of Thrones”, não sei o que representará.

E agora, o rescaldo. Jorah morreu, epicamente, a fazer aquilo que sempre desejou: a proteger Daenerys. Theon limpou o seu conspurcado nome num trágico ato final de coragem. E Lyanna Mormont morreu como a badass que sempre foi. Muitas das personagens principais sobreviveram, mas quanto tempo terão para festejar? Principalmente agora que os seus exércitos ficaram drasticamente reduzidos? O plano de Cersei parece estar a correr pelos eixos. Será que também a sua arrogância irá custar-lhe? Daenerys ainda tem os seus dragões, sim, mas será que Rhaegal ainda lhe é fiel? E que papel poderá a lealdade dividida dos seus filhos desempenhar no inevitável conflito que terá com Jon Snow? E o que dizer da determinação de Sansa de manter controlo sobre o Norte? Será que Bran ainda tem um papel secreto a desempenhar na luta contra Cersei? Conseguirá Tyrion redimir-se das muitas decisões erradas que tomou nos últimos tempos? Irá Jamie confrontar-se com Bronn? Teremos o tão esperado “Cleganebowl”? Que papel irão os direwolves sobreviventes (sim, Ghost e Nymeria ainda estão vivos) desempenhar na batalha final? Quem ficará no trono? E se for ninguém?

As perguntas abundam à medida que entramos na reta final desta história épica, mas, de momento, só me ocorre fechar este texto com a frase que me bailava na cabeça enquanto os dragões pairavam por cima das nuvens cerradas da tempestade gelada, num breve momento de descanso antes do regresso à insanidade da batalha: esta está a ser, muito provavelmente, a melhor temporada de “Game of Thrones”.

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