Porque todos precisamos de um pouco de magia na nossa vida de adultos.

 

Título original: Unicorn Store
Realizador: Brie Larson
Argumento: Samantha McIntyre
Actores: Brie Larson, Samuel L. Jackson, Joan Cusack

Canal: Netflix

Quando vi a imagem de promoção de “A Loja de Unicórnios” na Netflix, com Brie Larson e Samuel L. Jackson, pouco depois da estreia nos cinemas de “Capitão Marvel”, ocorreu-me que a Marvel pudesse ter decidido partilhar uma brincadeira de bastidores ou um “spin off” cómico sobre a fantástica dinâmica entre as duas personagens do filme. Mas, claro, isto era só eu a viajar na maionese – na realidade, “A Loja de Unicórnios” é a estreia de Brie Larson na realização de uma longa-metragem, depois de já ter no currículo duas curtas-metragens.

Apesar de ser a nova estrela da Marvel, Brie Larson ainda mantém o ar doce e humilde que nos encantou em “Quarto” (2015) e que a levou a ganhar o Óscar de Melhor Atriz. E é justamente uma história de uma jovem adulta de olhar inocente que nos traz “A Loja de Unicórnios” – e que ela própria protagoniza. Kit (Brie Larson) é uma artista apaixonada por cores e texturas, unicórnios e seres mitológicos que adora incluir nas suas telas e criações. É também uma artista incompreendida, que pela sua dificuldade em seguir as recomendações do seu cinzento professor, acaba por ser expulsa da Escola de Artes onde estudava. Volta então a casa dos pais, os sempre espirituosos e alegres Gladys (Joan Cusack) e Gene (Bradley Whitford), a quem Kit sente uma imensa e angustiante vontade de agradar.

É aqui que o filme se torna um divertido e interessante ensaio sobre as angústias da entrada na vida adulta: entre as nossas paixões e sonhos, a necessidade de aprovação dos pais e os “nãos” que passamos o dia a ouvir, qual é o caminho a seguir? Kit esforça-se para estar à altura da sua nova vida de adulta, dia após dia, até que começa a receber estranhos convites para “The Store”, uma loja misteriosa. Decide então procurar a morada e visitar “The Store” – que, para seu total espanto e alegria, é uma loja de unicórnios. O vendedor é Samuel L. Jackson, “The Salesman”, aqui num papel mais divertido e descontraído do que nos habituámos – nem lhe faltam as purpurinas e os fios de crina de unicórnio espalhadas pelo seu cabelo.

“A Loja de Unicórnios” é um ternurento filme sobre a dura transição entre a infância e a vida adulta, onde sentimos que, apesar de ter uma escorreita e bem contada narrativa, fica a faltar alguma substância e profundidade entre a dinâmica de pais e filha, ou com o patrão de Kit. O final do filme deixa-nos com a sensação de que Brie se contentou com um melodrama cómico médio – quando a história ainda tinha pano para mangas. Mesmo assim, é uma película que vale a pena, especialmente porque todos precisamos de um pouco de magia e arco-íris nos nossos dias.

 

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