Author page: Pedro Quedas

Vingadores: Endgame

O fim de uma saga… com mais e (talvez) melhor pela frente.

 

Título original:  Avengers: Endgame (EUA – 2019)
Realizador: Anthony Russo, Joe Russo
Argumento: Christopher Markus, Stephen McFeely
Protagonistas: Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson

Depois da catástrofe causada por Thanos, a humanidade sente os efeitos físicos e psicológicos do trauma. Ao mesmo tempo , os Avengers têm de se reunir para tentar encontrar uma solução para um problema aparentemente impossível. De decisões inesperadas em decisões inesperadas – que vou evitar revelar nesta crítica –, caminham para algo quase mais improvável ainda que o genocídio de Thanos: uma conclusão satisfatória.

Uma das coisas que mais impressiona em “Vingadores: Endgame” é o facto de, apesar de todos os fãs saberem, em traços gerais, para onde esta resolução caminhava, os caminhos que percorre até lá chegar raramente seguem os preceitos das expectativas normais. A coragem de não seguir o caminho do menor esforço é apenas mais um exemplo da confiança sem limites dos responsáveis pelo Marvel Cinematic Universe.

Outro tema que é interessante de abordar sobre este filme é a sua duração. Durante muito tempo, o consenso geral era que um “blockbuster” – uma obra de “cinema pipoca”, por assim dizer – não se devia estender muito além dos 90 minutos, duas horas. A base dessa convenção partia do pressuposto que o público geral, mais “mainstream”, não tinha capacidade de reter a sua atenção em frente a um ecrã durante muito mais tempo que isso. E, no entanto, numa era em que cada vez mais “velhos de Restelo” refilam sobre o défice de atenção das famigeradas novas gerações, “Vingadores: Endgame” tem a duração de três horas e nenhum dos seus muitos, muitos segundos chega sequer perto de aborrecer o espetador.

Será pelo modo como equilibra tão bem os momentos de antecipação com as sequências épicas de lutas e efeitos especiais? Será pela devoção que a Marvel foi criando ao longo de toda a saga e nos faz querer ficar eternamente rodeados destas personagens? Será que esta ideia de que há um limite temporal para a qualidade é simplesmente parva? Talvez um pouco de todos.

Começando com o sucesso inesperado de “Iron Man”, em 2008, o MCU estabeleceu um padrão de qualidade que mais nenhum franchise recente tem conseguido alcançar. Uma mistura perfeita entre intensidade dramática e humor hilariante, desenvolvimento de personagens e o frenesim da ação, momentos íntimos e cenas em que dezenas de personagens interagem todas ao mesmo tempo, sem nunca, inexplicavelmente, se tornar confuso.

Com o fim da saga de Thanos, é expectável que os novos filmes da Marvel comecem, aos poucos, a introduzir o novo super-vilão com o qual todos os Avengers se vão ter de degladiar. Seja ele (ou ela) quem for, uma coisa todos os fãs têm a certeza: vai ser muito, muito bom. Por esta altura, a Marvel já nos deu todas as razões para deixarmos o cinismo em casa. Com ou sem as pedras, venha daí o infinito.