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Captain Marvel

A primeira heroína a solo num filme da Marvel? Anos 90? Shapeshifters? Um gato? Que mais podemos possivelmente querer?! 

 

Título original:Captain Marvel (EUA – 2019)
Realizador:Anna Boden, Ryan Fleck
Argumento:Anna Boden, Ryan Fleck
Actores: Brie Larson, Samuel L. Jackson, Ben Mendelsohn, Jude Law

Vers (Brie Larson) é uma guerreira de elite que vive em Hala, capital dos Kree, uma raça alienígena governada por um entidade misteriosa e incontestável: a Supreme Intelligence. Tem como mentor Yon-Rogg (Jude Law) que a treina nas artes do combate e a controlar o extraordinário poder que possui: punhos que disparam energia tão poderosa que um só golpe deixa qualquer um por terra. Com a primeira missão oficial fora do planeta dá de caras com a raça inimiga dos Kree: os Skrull e o seu líder Talos (Ben Mendelsohn). Lagartos humanoides e exímios metamorfos que se infiltram nas sociedades e as destroem a partir de dentro (inspirados nas divertidas teorias da conspiração que correm pelo lado mais estranho do Youtube, Iluminati incluídos e etc, talvez?). Entre capturas, muita pancada e inúmeros flash-back de uma vida passada quenão recorda, acaba por se despenhar no planeta primitivo C-53. Descobre então que na verdade o seu nome é Carol Danvers e acaba de chegar ao planeta onde nasceu: o Planeta Terra.Corre o ano de 1995 e deparar-se-á com todas aquelas coisas dos anos 90 que recordamos com saudosa nostalgia: a Blockbuster, The Fresh Prince of Bel-Air, Space Invaders,camisas de flanela atadas à cintura e outras não tanto como modems por telefone e o Windows 95… Carol Danversterá de proteger os humanos da invasão dos Skrullcom a ajuda de algumas caras conhecidas como o rookie Agent Coulson (Clark Gregg), o carismático Nick Fury (Samuel L. Jackson) e um… gato?!

Brie Larson, apesar de toda a controvérsia gerada fora do ecrã,é uma perfeita escolha para representar a primeira heroína a solo da Marvel, contando já com um bom reportório comoa excelente atuação no filme Roomem 2015 que lhe rendeu um Oscar e um Globo de Ouro de Melhor Atriz.

É difícil evitar compará-la a outra heroína que fez a sua debut recentemente:Wonder Woman. Na verdade têm pouco em comum à parte do facto de serem mulheres. A heroína amazona foi criada nos anos 40 e chocou a sociedade profundamente patriarcal da altura acostumada a heróis ultra masculinos e os seus comics apesar de controversos sobreviveram muito tempo. Já a Captain Marvel é muito mais recente e espelha a sociedade mais moderna em que não necessitamos de role modelsfemininos que transpiram perfeição. É nisso que a DCfalha no seu típico exagero das cenas CGIcom cabelos longos ondulantes, planos de fatiotas que abraçam as curvas de Gal Gadot e uma perfeição inalcançável a meras mortais. A personagem perde profundidade e por consequência é inconsistente. Não me interpretem mal: a Wonder Womané uma excelente heroína mas o que me cativa mais com a Captain Marvelé que é da sua perseverança que extrai a força e francamente, como mulher moderna, identifico me muito mais com este modelo que algumas mentes fechadas acusam de propaganda feminista. Tentemos apreciar este filme pela sua excelente produção e interpretação, políticas à parte. Quem diria que a I’m Just a Girl dos No Doubtpoderia ser a música perfeita para uma cena épica de kick ass?

Numa nota à parte um aplauso à belíssima dedicação a Stan Lee nos primeiros segundos do filme com o logo da Marvel Studio imortalizando-o como um herói de carne e osso com a frase “Thank you Stan”. Excelsior!

 

Fevereiros

Maria Bethânia é o Brasil que é o Carnaval

 

Título original: Fevereiros (BRA – 2017)
Realizador: Marcio Debellian
Argumento: Marcio Debellian, Diana Vasconcellos
Actores:Maria Bethânia, Caetano Veloso, Chico Buarque de Hollanda, Leandro Vieira.

Em 2016, A Mangueira, uma das mais prestigiadas escolas de samba do Brasil, homenageou os 50 anos de carreira da cantora Maria Bethânia, convidando-a para ser a rainha do seu desfile de Carnaval. A consagração à ilustríssima baiana, arrebatou júris e público no Sambódromo do Marquês de Sapucaí e a Mangueira venceu mais um desfile de carnaval.

Fevereiros não propõe explicar esta expressão maior de Brasilidade que é o Carnaval ou mostrar como se concebe, desenha e põe em cena um desfile, o que por si seriam tarefas interessantíssimas. Marcos Debellian está mais interessado nas origens e na vida espiritual da cantora e nos paralelos entre a identidade da “Menina dos Olhos de Oyá” e a identidade/religiosidade do próprio Brasil.

Apesar de ser um documentário clássico, no sentido em que emprega sobretudo um modo expositivo, o filme evita a linearidade e a previsibilidade, recorrendo a imagens de arquivo, música, muita cor, movimento e grande enfoque na palavra, para criar sequências poéticas que permeiam entrevistas mais clássicas por partes de figuras como Caetano, Chico e mesmo Jorge Amado.

Os meros 75 minutos do filme dividem-se entre duas geografias distintas e também dois tempos, o do desfile e os muitos passados da cantora. Santo Amaro, na Bahia, onde Maria Bethânia nasceu e onde faz questão de estar a cada fevereiro para a festa da nossa senhora da Purificação, é o palco dominante, mas a cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro, onde tem lugar o histórico desfile das escolas de samba, está sempre presente. Assim como estão também, de forma muito leve, uma contextualização histórica do aparecimento dos desfiles e a sua importância política – afinal, tanto o samba como o Candomblé foram proibidos e os seus intervenientes perseguidos.

Maria Bethânia e Caetano Veloso levam-nos até à sua “meninice”, para dentro da sua casa e o seio da sua família, para pensar sobre como a religião afro-brasileira foi incorporada nas suas vidas a um nível pessoal, profundo, político. Uma das forças do filme é partir do pessoal e mesmo íntimo, para ser uma ode a uma certa ideia de Brasil, onde o espiritismo e o catolicismo, o pré e o pós-modernismo, o sincretismo e o holismo, andam de mão em mão, sem que nenhum limite ou prevaleça sobre o outro.

Fevereiros é um documentário belo e precioso sobre a complexidade e a diversidade dum Brasil que se questiona, se reaprende e pode renascer a cada Carnaval.

 

Alita: Anjo de Combate

Um mundo cyberpunk pos apocalíptico recheado de acção e fiel ao manga original.

 

Título original: Alita: Battle Angel (EUA – 2019)
Realizador: Robert Rodriguez
Argumento: James Cameron, Laeta Kalogridis
Actores: Rosa Salazar, Christoph Waltz, Jennifer Connelly

O ano é 2563. Das cidades flutuantes que precederam a terrível guerra apocalíptica conhecida como “The Fall”, apenas Zalem resistiu. Por debaixo desta está Iron City, uma cidade fabricada pelo lixo largado pela cidade do céu. O Doutor Dyson Ido (Christoph Waltz) é um cientista especialista em cyborgs. Numa das suas buscas por peças no ferro-velho, depara-se com o corpo despedaçado de um cyborg feminino, dando-lhe o corpo mecânico e nome da sua filha assassinada. Alita (Rosa Salazar) não tem qualquer memória da sua vida passada e vê o mundo pelos olhos inocentes de uma criança. Trava uma amizade especial com o rebelde Hugo (Keean Johnson) que a introduz ao perigoso e popular jogo de Motorball (um misto de basquetebol, Killer Derby e Battle Royale jogado por cyborgs destemidos). Nesta cidade de realidade cyberpunk onde a lei do mais forte predomina, o crime é controlado por Hunter-Warriors (caçadores de recompensas). É numa dessas caçadas que Alita descobre que é muito mais do que apenas um cyborg largado no lixo. A inocente criança é na verdade uma jovem adulta guerreira que descende de uma linhagem de heróis de Marte, e lutar é o que sabe fazer melhor.

Do mesmo homem por detrás de clássicos como Titanic, Exterminador Implacável, Aliens: o Recontro Final e Avatar, chega-nos agora esta adaptação para a grande tela do manga criado por Yukito Kishiro em 1990. James Cameron é um mestre contador de histórias e em conjunto com o realizador Robert Rodriguez, faz mais do que justiça a esta história que apesar de não ter sido um sucesso de bilheteira aquando da sua estreia no Dia de São Valentim, deixou todo o séquito de fãs dedicados a chorar por mais. Por aqui ficamos à espera de que o filme tenha mais sucesso nas próximas semanas, já que disso depende a já tão aguardada sequela. Ficou muita coisa por contar. Conseguirá Alita subir a Zalem e cumprir a sua missão interrompida? Quem é o misterioso vilão Nova (Edward Norton) que a observa desde lá do alto?