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Pokémon Detetive Pikachu

Uma história enternecedora, com a dose certa de fantasia, comédia e mistério.

 

Título original: Pokémon Detective Pikachu (EUA, JAP – 2019)
Realizador: Rob Letterman
Argumento: Dan Hernandez, Benji Samit
Actores: Ryan Reynolds, Justice Smith, Kathryn Newton

Neste mundo onde os Pokémon andam lado a lado dos humanos, Tim Goodman (Justice Smith), um jovem ex-treinador de Pokémon, é o único humano sem um monstro como companheiro. O que antes tinha sido o sonho de se tornar o melhor treinador do mundo, não passa agora de recordações de uma infância triste sem mãe, em que o pai fazia pouco parte. Quando recebe a notícia de que o seu pai, Harry, morreu num acidente de carro, Tim decide enfrentar os próprios demónios e visitar Ryme City, onde o pai foi viver depois da morte da sua mãe. Ao chegar ao apartamento, dá de caras com um amnésico Pikachu (Ryan Reynolds) com um pequeno chapéu de detetive onde diz que aquele era o Pokémon parceiro do seu pai. Estranhamente, Tim consegue entendê-lo, quando todas as outras pessoas apenas ouvem o típico “Pika! Pika!”. A trama fica ainda mais misteriosa quando surge Lucy Stevens (Kathryn Newton), uma jovem estagiária intrépida que quer vingar no mundo das notícias, que lhes conta que Harry estava no encalço de um caso bicudo e que na verdade não morreu, está apenas desaparecido. Juntos, tentarão descobrir o paradeiro do pai de Tim e, pelo caminho, desvendar uma verdadeira conspiração que ameaça todo o mundo Pokémon.

Confesso que nunca fui muito fã de Pokémon – nunca vi mais do que cinco minutos do anime – nem tive muito interesse quando saiu o jogo Pokemon Go. Conhecia alguns nomes: Pikachu (claro), Charmander, Jigglypuff e pouco mais. Foi então que, muito casualmente, entrei na sala do cinema: eu estava ali mais por curiosidade, o trailer tinha-me parecido decente o suficiente e, sendo o meu parceiro o verdadeiro fã desses monstrinhos que podes guardar no bolso, fiz-lhe a vontade. O que se seguiu foi, no mínimo, o que posso equiparar à abertura do terceiro olho (sim, algo do género). Este filme, para além do enredo muito bem escrito, que cativa até mesmo aqueles que, como eu, não conhecem o mundo Pokémon, está feito para brilhar. Desde ao casting de Ryan Reynolds como voz de Pikachu (de longe a melhor coisa do filme), aos jovens atores, aos atores mais seniores e ao excelente CGI. De alguma forma, nem sei bem como, conseguiram fazer a transição do anime à grande tela de forma surpreendente. Na mesma altura em que filmes como “Aladdin” ou o filme do Sonic deixaram o público decepcionado, é maravilhoso ver como, desta vez, a atenção ao detalhe foi tomada em conta, criando o que considero uma obra de arte cinematográfica.

Voltaria a ver e rever este filme que está agora no top dos meus preferidos de sempre. Agora que fui, também eu, apanhada pelo mundo viciante dos Pokémon, vou dar um passeio por aí e experimentar um certo jogo de telemóvel… “Pokémon, vamos apanhá-los todos!”.

 

Vingadores: Endgame

O fim de uma saga… com mais e (talvez) melhor pela frente.

 

Título original:  Avengers: Endgame (EUA – 2019)
Realizador: Anthony Russo, Joe Russo
Argumento: Christopher Markus, Stephen McFeely
Protagonistas: Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson

Depois da catástrofe causada por Thanos, a humanidade sente os efeitos físicos e psicológicos do trauma. Ao mesmo tempo , os Avengers têm de se reunir para tentar encontrar uma solução para um problema aparentemente impossível. De decisões inesperadas em decisões inesperadas – que vou evitar revelar nesta crítica –, caminham para algo quase mais improvável ainda que o genocídio de Thanos: uma conclusão satisfatória.

Uma das coisas que mais impressiona em “Vingadores: Endgame” é o facto de, apesar de todos os fãs saberem, em traços gerais, para onde esta resolução caminhava, os caminhos que percorre até lá chegar raramente seguem os preceitos das expectativas normais. A coragem de não seguir o caminho do menor esforço é apenas mais um exemplo da confiança sem limites dos responsáveis pelo Marvel Cinematic Universe.

Outro tema que é interessante de abordar sobre este filme é a sua duração. Durante muito tempo, o consenso geral era que um “blockbuster” – uma obra de “cinema pipoca”, por assim dizer – não se devia estender muito além dos 90 minutos, duas horas. A base dessa convenção partia do pressuposto que o público geral, mais “mainstream”, não tinha capacidade de reter a sua atenção em frente a um ecrã durante muito mais tempo que isso. E, no entanto, numa era em que cada vez mais “velhos de Restelo” refilam sobre o défice de atenção das famigeradas novas gerações, “Vingadores: Endgame” tem a duração de três horas e nenhum dos seus muitos, muitos segundos chega sequer perto de aborrecer o espetador.

Será pelo modo como equilibra tão bem os momentos de antecipação com as sequências épicas de lutas e efeitos especiais? Será pela devoção que a Marvel foi criando ao longo de toda a saga e nos faz querer ficar eternamente rodeados destas personagens? Será que esta ideia de que há um limite temporal para a qualidade é simplesmente parva? Talvez um pouco de todos.

Começando com o sucesso inesperado de “Iron Man”, em 2008, o MCU estabeleceu um padrão de qualidade que mais nenhum franchise recente tem conseguido alcançar. Uma mistura perfeita entre intensidade dramática e humor hilariante, desenvolvimento de personagens e o frenesim da ação, momentos íntimos e cenas em que dezenas de personagens interagem todas ao mesmo tempo, sem nunca, inexplicavelmente, se tornar confuso.

Com o fim da saga de Thanos, é expectável que os novos filmes da Marvel comecem, aos poucos, a introduzir o novo super-vilão com o qual todos os Avengers se vão ter de degladiar. Seja ele (ou ela) quem for, uma coisa todos os fãs têm a certeza: vai ser muito, muito bom. Por esta altura, a Marvel já nos deu todas as razões para deixarmos o cinismo em casa. Com ou sem as pedras, venha daí o infinito.

 

Captain Marvel

A primeira heroína a solo num filme da Marvel? Anos 90? Shapeshifters? Um gato? Que mais podemos possivelmente querer?! 

 

Título original:Captain Marvel (EUA – 2019)
Realizador:Anna Boden, Ryan Fleck
Argumento:Anna Boden, Ryan Fleck
Actores: Brie Larson, Samuel L. Jackson, Ben Mendelsohn, Jude Law

Vers (Brie Larson) é uma guerreira de elite que vive em Hala, capital dos Kree, uma raça alienígena governada por um entidade misteriosa e incontestável: a Supreme Intelligence. Tem como mentor Yon-Rogg (Jude Law) que a treina nas artes do combate e a controlar o extraordinário poder que possui: punhos que disparam energia tão poderosa que um só golpe deixa qualquer um por terra. Com a primeira missão oficial fora do planeta dá de caras com a raça inimiga dos Kree: os Skrull e o seu líder Talos (Ben Mendelsohn). Lagartos humanoides e exímios metamorfos que se infiltram nas sociedades e as destroem a partir de dentro (inspirados nas divertidas teorias da conspiração que correm pelo lado mais estranho do Youtube, Iluminati incluídos e etc, talvez?). Entre capturas, muita pancada e inúmeros flash-back de uma vida passada quenão recorda, acaba por se despenhar no planeta primitivo C-53. Descobre então que na verdade o seu nome é Carol Danvers e acaba de chegar ao planeta onde nasceu: o Planeta Terra.Corre o ano de 1995 e deparar-se-á com todas aquelas coisas dos anos 90 que recordamos com saudosa nostalgia: a Blockbuster, The Fresh Prince of Bel-Air, Space Invaders,camisas de flanela atadas à cintura e outras não tanto como modems por telefone e o Windows 95… Carol Danversterá de proteger os humanos da invasão dos Skrullcom a ajuda de algumas caras conhecidas como o rookie Agent Coulson (Clark Gregg), o carismático Nick Fury (Samuel L. Jackson) e um… gato?!

Brie Larson, apesar de toda a controvérsia gerada fora do ecrã,é uma perfeita escolha para representar a primeira heroína a solo da Marvel, contando já com um bom reportório comoa excelente atuação no filme Roomem 2015 que lhe rendeu um Oscar e um Globo de Ouro de Melhor Atriz.

É difícil evitar compará-la a outra heroína que fez a sua debut recentemente:Wonder Woman. Na verdade têm pouco em comum à parte do facto de serem mulheres. A heroína amazona foi criada nos anos 40 e chocou a sociedade profundamente patriarcal da altura acostumada a heróis ultra masculinos e os seus comics apesar de controversos sobreviveram muito tempo. Já a Captain Marvel é muito mais recente e espelha a sociedade mais moderna em que não necessitamos de role modelsfemininos que transpiram perfeição. É nisso que a DCfalha no seu típico exagero das cenas CGIcom cabelos longos ondulantes, planos de fatiotas que abraçam as curvas de Gal Gadot e uma perfeição inalcançável a meras mortais. A personagem perde profundidade e por consequência é inconsistente. Não me interpretem mal: a Wonder Womané uma excelente heroína mas o que me cativa mais com a Captain Marvelé que é da sua perseverança que extrai a força e francamente, como mulher moderna, identifico me muito mais com este modelo que algumas mentes fechadas acusam de propaganda feminista. Tentemos apreciar este filme pela sua excelente produção e interpretação, políticas à parte. Quem diria que a I’m Just a Girl dos No Doubtpoderia ser a música perfeita para uma cena épica de kick ass?

Numa nota à parte um aplauso à belíssima dedicação a Stan Lee nos primeiros segundos do filme com o logo da Marvel Studio imortalizando-o como um herói de carne e osso com a frase “Thank you Stan”. Excelsior!

 

Fevereiros

Maria Bethânia é o Brasil que é o Carnaval

 

Título original: Fevereiros (BRA – 2017)
Realizador: Marcio Debellian
Argumento: Marcio Debellian, Diana Vasconcellos
Actores:Maria Bethânia, Caetano Veloso, Chico Buarque de Hollanda, Leandro Vieira.

Em 2016, A Mangueira, uma das mais prestigiadas escolas de samba do Brasil, homenageou os 50 anos de carreira da cantora Maria Bethânia, convidando-a para ser a rainha do seu desfile de Carnaval. A consagração à ilustríssima baiana, arrebatou júris e público no Sambódromo do Marquês de Sapucaí e a Mangueira venceu mais um desfile de carnaval.

Fevereiros não propõe explicar esta expressão maior de Brasilidade que é o Carnaval ou mostrar como se concebe, desenha e põe em cena um desfile, o que por si seriam tarefas interessantíssimas. Marcos Debellian está mais interessado nas origens e na vida espiritual da cantora e nos paralelos entre a identidade da “Menina dos Olhos de Oyá” e a identidade/religiosidade do próprio Brasil.

Apesar de ser um documentário clássico, no sentido em que emprega sobretudo um modo expositivo, o filme evita a linearidade e a previsibilidade, recorrendo a imagens de arquivo, música, muita cor, movimento e grande enfoque na palavra, para criar sequências poéticas que permeiam entrevistas mais clássicas por partes de figuras como Caetano, Chico e mesmo Jorge Amado.

Os meros 75 minutos do filme dividem-se entre duas geografias distintas e também dois tempos, o do desfile e os muitos passados da cantora. Santo Amaro, na Bahia, onde Maria Bethânia nasceu e onde faz questão de estar a cada fevereiro para a festa da nossa senhora da Purificação, é o palco dominante, mas a cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro, onde tem lugar o histórico desfile das escolas de samba, está sempre presente. Assim como estão também, de forma muito leve, uma contextualização histórica do aparecimento dos desfiles e a sua importância política – afinal, tanto o samba como o Candomblé foram proibidos e os seus intervenientes perseguidos.

Maria Bethânia e Caetano Veloso levam-nos até à sua “meninice”, para dentro da sua casa e o seio da sua família, para pensar sobre como a religião afro-brasileira foi incorporada nas suas vidas a um nível pessoal, profundo, político. Uma das forças do filme é partir do pessoal e mesmo íntimo, para ser uma ode a uma certa ideia de Brasil, onde o espiritismo e o catolicismo, o pré e o pós-modernismo, o sincretismo e o holismo, andam de mão em mão, sem que nenhum limite ou prevaleça sobre o outro.

Fevereiros é um documentário belo e precioso sobre a complexidade e a diversidade dum Brasil que se questiona, se reaprende e pode renascer a cada Carnaval.

 

Alita: Anjo de Combate

Um mundo cyberpunk pos apocalíptico recheado de acção e fiel ao manga original.

 

Título original: Alita: Battle Angel (EUA – 2019)
Realizador: Robert Rodriguez
Argumento: James Cameron, Laeta Kalogridis
Actores: Rosa Salazar, Christoph Waltz, Jennifer Connelly

O ano é 2563. Das cidades flutuantes que precederam a terrível guerra apocalíptica conhecida como “The Fall”, apenas Zalem resistiu. Por debaixo desta está Iron City, uma cidade fabricada pelo lixo largado pela cidade do céu. O Doutor Dyson Ido (Christoph Waltz) é um cientista especialista em cyborgs. Numa das suas buscas por peças no ferro-velho, depara-se com o corpo despedaçado de um cyborg feminino, dando-lhe o corpo mecânico e nome da sua filha assassinada. Alita (Rosa Salazar) não tem qualquer memória da sua vida passada e vê o mundo pelos olhos inocentes de uma criança. Trava uma amizade especial com o rebelde Hugo (Keean Johnson) que a introduz ao perigoso e popular jogo de Motorball (um misto de basquetebol, Killer Derby e Battle Royale jogado por cyborgs destemidos). Nesta cidade de realidade cyberpunk onde a lei do mais forte predomina, o crime é controlado por Hunter-Warriors (caçadores de recompensas). É numa dessas caçadas que Alita descobre que é muito mais do que apenas um cyborg largado no lixo. A inocente criança é na verdade uma jovem adulta guerreira que descende de uma linhagem de heróis de Marte, e lutar é o que sabe fazer melhor.

Do mesmo homem por detrás de clássicos como Titanic, Exterminador Implacável, Aliens: o Recontro Final e Avatar, chega-nos agora esta adaptação para a grande tela do manga criado por Yukito Kishiro em 1990. James Cameron é um mestre contador de histórias e em conjunto com o realizador Robert Rodriguez, faz mais do que justiça a esta história que apesar de não ter sido um sucesso de bilheteira aquando da sua estreia no Dia de São Valentim, deixou todo o séquito de fãs dedicados a chorar por mais. Por aqui ficamos à espera de que o filme tenha mais sucesso nas próximas semanas, já que disso depende a já tão aguardada sequela. Ficou muita coisa por contar. Conseguirá Alita subir a Zalem e cumprir a sua missão interrompida? Quem é o misterioso vilão Nova (Edward Norton) que a observa desde lá do alto?